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Em Orada, Alentejo (Portugal), dia 11 de outubro de 2008

Equanimidade: a porta do novo mundo

  Você é amada agora, profundamente amado. Desde a ponta dos pés até o último dos teus cabelos, tudo é agora afagado, iluminado, abraçado por esta, tua presença no divino, por esta, tua partilha da consciência além daquilo que é conhecido. Aqui agora o visível e o invisível estão em contato. O lógico e o mágico são um mesmo bater, palpitar. Preenche o teu corpo como se fosse um copo neste líquido de bebida imortal.

  Há copos que você bebeu na sua vida e não se esquecem, mas há outros pelos quais você não é esquecido, e este é um deles. Esta é aquela razão pela qual você foi trazido à vida. Este é o conteúdo da vida. Assim, pode ficar agora sem forma nenhuma perdendo os limites do corpo, pensamento, convertendo-se somente num liquido imortal, num sentimento que transborda tudo aquilo que conheceu até agora, tudo aquilo que conheceu, que percebeu.

 

  Está plenamente em contato com aquela parte da sua alma chamada União. Neste momento, esta parte de si está sendo estabelecida na quietude, para que a ligação entre a sua vida e o Eu Sou seja real, profunda, efetiva.

  Esta é a parte que fala da imortalidade, é a que relaciona diretamente aquilo que nasce e morre com aquilo que é eterno, e o milagre maior é que quando estas duas partes entram em contato, sente-se a imortalidade em cada um dos seus atos. Esta parte da alma é mantida intacta através das encarnações, somente cresce, atingindo um maior teor de amor na sua estrutura, mas nunca volta atrás no teor atingido.

  No entanto, as outras duas partes da sua alma, a Presença e o Vazio, mudam constantemente já que estão em movimento na procura de um equilíbrio mutuo. No percurso em que é procurado um caminho direto entre o eterno e o passageiro, são feitas através do vazio e da presença diferentes manobras na procura deste caminho. A alma vai provando diferentes combinações até atingir esse equilíbrio. Essas combinações são experimentadas através de um carma negativo quando o vazio é a parte que está em funcionamento. São experimentadas como um carma positivo quando a presença é a que está em funcionamento.

  Assim, tanto nos momentos fáceis como nos momentos difíceis que acontecem na sua vida, tudo é carma, tudo é procura de uma coisa central chamada amor. Culturalmente têm uma dificuldade para aceitar a negatividade, e um excesso de valorização da positividade, quando tudo aquilo que precisam experimentar é o sentimento do centro, é o amor. Eu digo: quando tudo corre bem, não pensem que estão no caminho certo, quando tudo corre mal, não pensem que estão no caminho certo. Quando sentirem o amor, seja o que for que aconteça, podem estar completamente seguros que estão no caminho certo. O facto de as coisas correrem mal ou bem é um ajuste entre essas duas partes da alma, entre o Vazio e a Presença, entre o carma positivo e negativo, e não há diferença nenhuma entre as coisas boas e más, é tudo um extremo, não importa que morem no extremo da positividade ou no extremo da negatividade. Tudo isso é estar enredado na roda da causa e conseqüência. Tanto se construírem muito, como se destruírem muito, até ao momento em que não sentem amor fazendo isso, não estão no seu centro, não estão na trilha imortal do ser humano divinizado. Desde esse ponto de vista, o ser mais ruim deste planeta, pode ser o mais divino. Não julguem pelas aparências. E não se julguem a si mesmas pelo facto de as coisas na sua vida serem agradáveis ou desagradáveis, sintam se estão amando essas coisas, não mais do que isso.

  Tudo aquilo que é amado passa a fazer parte desta esfera da União que tem a sua ligação direta com o Eu Sou, com a divindade, e que fica, de forma eterna, morando neste e noutros universos. Nas outras duas partes da alma que não são a ligação direta com o Eu Sou, mas que fazem de espelho para poder gerar uma realidade tal e qual a conhecem, são gerados mil caminhos, trilhas distintas. Estas trilhas continuam a acontecer por milénios, cada vez num extremo maior, até ao momento em que são amadas, e assim curadas e incorporadas à parte central da alma. Enquanto isso não acontece, o extremismo é cada vez maior. Mas pelo facto destes extremos crescerem e voltarem cada vez mais densos, chega a um momento em que esta mesma densidade atrapalha o processo de criação e o caminho existente para a União ligar o Eu Sou e a criação. A estrutura da alma é engolida por um buraco negro, de maneira que todo o seu teor é utilizado para a criação de um novo caos que é matéria prima através da qual outras almas alinhadas com o amor, poderão gerar novos universos.

  No atual momento do planeta podem encontrar uma maioria de pessoas morando neste extremismo. Os carmas já estão muito densos e estão a transbordar a capacidade das almas para continuar a encarnar, e assim o planeta está correndo, está se encaminhando para uma purificação profunda, na qual estão incluídas a maior parte das pessoas que neste momento estão vivas. Também há muitas almas alinhadas no amor, mas comparadas com a massa humana são realmente um mínimo daquelas que estão vivas. Quando vocês geram amor, eu sugiro que ultrapassem a sua moral católica, que os leva a tentar salvar o mundo e a sacrificarem-se pelo mundo, e construam um amor que não se compadece com o sofrimento e o prazer alheios sabendo que estes são parte de um processo natural da alma. Nessa equanimidade, o seu canal de amor estará pronto para que, através desta purificação massiva, vocês possam ser um canal de criação para um novo mundo, já que todo esse extremismo que levará ao caos é o alimento para vocês gerarem uma nova vida. Assim, não chorem por aquilo que vai embora, mas façam uma festa para que a nova criação seja efetiva.

  Nesta altura do tempo, falando em curto prazo, há uma energia nesta parte do planeta muito apropriada para a observação, para o desapego, para o entendimento. Tentem nestes tempos não agir em coisas que sejam importantes para vocês. Tentem construir sabedoria, compreender os seus processos, olhar para a beleza que os rodeia, desfrutar do seu pensamento. É um momento de preparação para potenciais que acordarão no ano seguinte, assim que ativando a parte superior da mente, quando os potenciais acordem, o seu ser estará pronto para dirigi-los, para encaminhá-los com inteligência, com sabedoria, com equilíbrio e beleza.

 Pratiquem especialmente nas dimensões superiores, cantem nelas, respirem nelas, afirmem nelas, mexam o seu corpo com leveza, com amplitude, e não se sintam obrigados a tomarem decisões agora. Falo-vos num pais, dentro de uma cultura católica, que adotou especialmente com muita força o conceito de compaixão como se fosse sacrifício. Para vossa procura, para vossa trilha, tenham cuidado com estes conceitos, compreendam nestes dias, não podem parar a destruição, têm que fazer festa no meio dela. Têm de se alegrar do final dos processos, porque somente assim, dessa maneira estão prontos para partilhar o começo de novos processos. Se morarem no sacrifício, estão fora do amor e do crescimento de um novo mundo.

 

  A minha mão é um agasalho que acaricia agora este templo. Sintam a ativação do seu eixo central através da união. Podem por o intuito de que essa ativação sirva para amar o seu carma por completo, que a força da União chegue à sua Presença, ao seu Vazio. Você é tão, tão amada... que este amor transborde da mónada espiritual que é a União para preencher o resto da sua alma e assim ficar em paz com o seu carma.

 

Transmissão de energia e palavras da presença Eu Sou, por Alberto Saiz, em directo para um grupo

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