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Lua quieta.
Silêncio.
Sombra sobre a terra.
Canção desnuda que agita espuma sobre a
areia. Repete, surda, a ausência de palavras ou estruturas.
Lua
livre para aparecer e desaparecer,
para brilhar e sumir na escuridão. Luz crescente e minguante,
flexível, como sua
alma sobre a terra. Em silêncio e suavemente, ou com o
ímpeto da onda que faz
chiar a areia. Assim, seu espírito é livre para trazer
esquecimento ou consciência,
purificação e destruição,
fecundação e abundância. Assim como o som é
livre
para cantar e calar, assim seu espírito é absolutamente
livre para vibrar ou aquietar-se.
E atrás desse movimento, ciclo eterno de luz e escuridão,
se cria um sentimento
incondicional de compromisso com a vida, de aceitação dos
momentos de luz e escuridão
chamado amor, que da um caráter imortal a esta sua vida. Aqui,
agora, existe o
mesmo que sempre existiu e sempre existirá. O único que
você é no fundo, este
amor imortal de aceitar os ciclos da lua, os ciclos da vida, os ciclos
da consciência.
Você é pura e unicamente amor, que às vezes se cala
e às vezes sonha, que é
silêncio e é som. Tudo é uno, tudo é amor:
desnudo, simples e profundo. Sente
este amor como um mel a acariciar seu corpo, como una lua a derramar
seus fios
de prata envolvendo seu corpo. Isso que te envolve é o que
você é. Isso que você
é, é o que cria. Isso que cria é seu agradecimento
para com a vida.
Viva,
atrás deste
instante,
mais amoroso, real e criativo.