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Eu Sou




Canto

            de estrelas

                               que estão junto de mim.

Oração de luz dourada, que vibro nas grutas dos meus antepassados e para dentro da terra, e para o universo, inabarcável hálito.

Caminho, com a leveza e a força que me dá o confiar neste momento.

Sei que encontramo-nos juntos, que começo e final são o mesmo.

Fomos paridos num mesmo lugar, voltamos a um mesmo sítio.

E, no entanto, nunca escutei dois cânticos iguais, nunca ouvi duas palavras que significaram o mesmo.

E a luz com a que vê cada um, quiçá, faz nascer uma estrela que não é própria de ninguém.

E a força em que vibram, talvez, fora das grutas, as canções dos nossos descendentes, cria um novo mundo.

Somos o passado do futuro, o futuro do passado; um tempo intangível, doce cosmos sagrado desvendado entre as tuas mãos.

Cada vez que te tocas, que me tocas, que nos tocamos.

Somos o néctar das estrelas refletindo-se a si mesmo, não há motivos para a tristeza; só brilho, só luz, só amor imenso, imenso...

Tudo é amor.

Em Vitoria (Espanha), 16 de dezembro de 2011

Improvisação poética ao vivo para um grupo

Alberto Saiz Rodríguez